
Jambu
Nome cientÃfico:Â Acmella oleracea (L.) R.K.Jansen.
Nomes populares: Agrião-do-Pará, Agrião-do-Norte, Jambuassu e Jambu.
Basiônimo: Spilanthes oleracea L.
Sinônimos: Bidens fervida Hort. ex Colla.; Bidens fusca Lam.
FamÃlia:Â Asteraceae
Origem: América do Sul
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Aspectos botânicos: Erva de pequeno porte, terrÃcola, rasteira. Suas folhas são longas e ovaladas e suas flores amareladas. Seu fruto é pequeno, seco e preso ao final da flor.     Â
Parte usada: Folhas, flores e caule.    Â
Usos populares: Culinário, as folhas cozidas são utilizadas em pratos tÃpicos da região carregando um sabor amargo e produzindo a sensação de dormência. A infusão das folhas e dos capÃtulos florais são utilizados contra anemia, dispepsia, inflamações da boca e da garganta, além de dores de dente, por conta da sua ação anestésica; diurético e para tratar cálculos renais e biliares. As folhas cruas mastigadas estimulam a salivação e são excitantes e anestésicos. Os extratos obtidos por arraste de vapor ou hidroalcóolicos são utilizados O extrato de jambu é utilizado em produtos antissépticos, bem como em cremes e máscaras faciais antissinais. De forma empÃrica, os chás das folhas são utilizados com alegação de aumento da imunidade, entretanto, o que ocorre é uma modulação do processo inflamatório levando a diminuição da migração leucocitária e por consequência da resposta imunológica que pode ser lido por leigos como um aumento da imunidade.
Composição quÃmica: Alcamidas, fitoesterois e terpenos, isolados das folhas e flores.
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Farmacologia: Ensaios com animais demonstraram que os extratos aquosos das partes aéreas são capazes de reduzir a sensação de dor por meio de mecanismos redução de dor locais e anti-inflamatórios, inclusive, a atividade anti-inflamatória da alcamida espilantol foi demonstrada in vitro. A atividade diurética do extrato aquoso das flores foi demonstrada em modelo animal, entretanto, foi observada a perda de micronutrientes que deveriam ter sido reabsorvidos e com isso, houve um impacto na concentração desses ions (K+ e Na+) na urina dos ratos. O espilantol também demonstrou atividade arritmogênica alterando o potencial elétrico dos ventrÃculos ocasionando exacerbação dos marca-passos fisiológicos. Além disso, outro estudo demonstrou, em modelo animal, que ele é capaz de induzir a convulsão, através de um mecanismo excitatório. A atividade antimicrobiana do espilantol foi observada em concentrações muito pequenas (25 µg/mL), além dele apresentar atividade fungistática. Já o extrato hexânico das flores demonstrou alta atividade larvicida frente estágios de Anopheles spp. e Culex spp. Um estudo randomizado duplo-cego controlado por placebo demonstrou que o creme preparado a partir de Acmella oleracea foi capaz de aumentar o desejo sexual masculino e feminino, além de aumenta a excitação feminina e a satisfação masculina durante a penetração. Não houve alteração na intensidade do orgasmo. Estudos avaliam que tanto os óleos essências, quanto o espilantol isolado, possuem potencial promissor na indústria cosmética como ingrediente ativo em preparações antirrugas e antienvelhecimento.
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Toxicologia: 3g/kg por via oral do extrato aquoso das folhas não demonstrou efeito tóxico em camundongos. Estudo sobre a fertilidade em peixe-zebra (zebra-fish) demonstrou que o extrato aquoso das flores pode induzir a efeitos letais e teratogênicos, sem um mecanismo muito definido, mas acredita-se que seja pelo aumento da deposição de ovos e diminuição dos recursos embrionários. O espilantol é inibidor de várias isoformas das proteÃnas hepáticas pertencentes a superfamÃlia do citocromo P450 (CYPs) que metabolizam xenobióticos, com isso, ele pode aumentar a toxicidade de outros compostos administrados em conjunto.
Texto: Gleison Gonçalves Ferreira/ Houéfa Egidia Fallon Adido
Revisão: Consuelo Yumiko Yoshioka e Silva/ Paulo Roberto da Costa Sá
Imagem: Canva.com
Fontes consultadas:
CHAKRABORTY, A. R. K. B. et al. Preliminary studies on antiinflammatory and analgesic activities of Spilanthes acmella in experimental animal models. Indian journal of pharmacology, v. 36, n. 3, p. 148, 2004.
DE SOUZA, Gisele Custodio et al. Acmella oleracea (L) RK Jansen reproductive toxicity in zebrafish: an in vivo and in silico assessment. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, v. 2019, 2019.
GILBERT, B.; FAVORETO, R. Acmella oleracea (L.) R. K. Jansen (Asteraceae) - Jambu. Revista Fitos, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, v. 5, n. 01, p. 83–91, 2010. DOI: 10.32712/2446-4775.2010.103. DisponÃvel em: https://revistafitos.far.fiocruz.br/index.php/revista-fitos/article/view/103. Acesso em: 12 mar. 2023.
REGADAS, Romel Prata. Efeito do creme de jambu (Acmella oleracea) sobre a função sexual masculina e feminina. 2008. Dissertação (Mestrado em Cirurgia) - Universidade Federal do Ceará, 2008. DisponÃvel em: https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/7634/1/2008_dis_rpregadas.pdf. Acesso em: 10 mar. 2023.
SUT, Stefania et al. Comparison of biostimulant treatments in Acmella oleracea cultivation for alkylamides production. Plants, v. 9, n. 7, p. 818, 2020. DisponÃvel em: https://www.mdpi.com/2223-7747/9/7/818#B2-plants-09-00818. Acesso em: 27 mar. 2023.
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