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Hortelã-Pimenta

  • Nome científico: Mentha x piperita L.


  • Família: Lamiaceae


  • Origem: É um híbrido entre Mentha aquatica e Mentha spicata, sendo cultivado pela primeira vez na Inglaterra do séc. XVII.


  • Partes utilizadas: Folhas e flores.


  • Usos populares: Fadiga geral, má digestão, dor no estômago, cólicas, doenças no fígado, bronquite crônica, dentre outras enfermidades. Sendo também empregado como calmante, revitalizante, antidepressivo, antialérgico, contra gases intestinais, hipotensor, tônico em geral e inibidor de espasmos do sistema gastrointestinal.


  • Composição química:

1.       Óleo essencial: Mentol, mentona, pulegona (a partir desse se obtém no processo de extração o mentofurano que é toxico), linalol, carvona, entre outros.

2.       Flavonóides: Narirutina, hesperidina, luteolina-7-O-rutinosideo, isorgoifolina, diosmina, 5,7-di-hidroxicromona, 7-O-rutinosideo e eriocitrina.

3.       Ácidos fenólicos: Ácido rosmarinico, ácido cinâmico, entre outros.


  • Farmacologia: Os mecanismos de ação não são completamente elucidados, porém sabe-se que a Mentha piperita apresenta várias ações farmacológicas, tanto do óleo essencial quanto de extratos, descritas na literatura como: atividade antidepressiva, antioxidante, antimicrobiana, antiviral, antitumoral, antiespasmódico, antialérgica, hipoglicemiante, anti-inflamatória, entre outras indicações terapêuticas.


  • Dose diária e Posologia (dose e intervalo):

1.       Uso interno:

a.       Para distúrbios digestivos: Dose diária de 0,2-0,4 mL do óleo essencial três vezes por dia em preparações diluídas ou suspensões.

b.       Por inalação: 3-4 gotas de óleo essencial em água quente.

c.       Expectorante: 2-10 mg de óleo essencial por pastilha

d.       Para síndrome do intestino irritável: uma dose diária de 0,2-0,4 mL de óleo essencial três vezes por dia em cápsulas com revestimento entérico.

2.       Uso externo: 5-20% de óleo essencial diluído, semi-sólido (por exemplo, cremes ou pomadas)  ou preparações oleosas; 5-10% de óleo essencial em água-etanol; pomadas nasais contendo 1-5% da droga bruta.


  • Contraindicações:

1.       Via oral: Alergia ao óleo de hortelã ou mentol e em pacientes com doença hepática, colangite (inflamação das vias biliares), acloridria (diminuição ou ausência de ácido no estômago – importante para degradação de alimentos), cálculos biliares (“pedras” nas vias biliares) e qualquer outro distúrbio biliar.

2.       Uso cutâneo (pele): Alergia ao óleo da hortelã-pimenta ou ao mentol

3.       Uso em crianças: Contraindicado em crianças menores de 2 anos de idade, porque mentol pode provocar apneia reflexa (distúrbio do sono que afeta a respiração) e laringoespasmo (contração muscular descontrolada do fechamento da glote – espaço natural entre as pregas vocais). Crianças com histórico de convulsões (febris ou não) e em crianças que apresentam alergia ao óleo de hortelã ou mentol.


  • Interações medicamentosas: A utilização de hortelã-pimenta concomitantemente com antiácidos pode ocasionar a liberação prematura do conteúdo da cápsula, bem como antagonistas dos receptores do tipo H2 para histamina e inibidores da bomba de prótons, por exemplo, pode ocasionar dissolução prematura do revestimento entérico; o óleo essencial pode apresentar sinergismo com alguns medicamentos antibacterianos, o uso de hortelã pimenta pode inibir o metabolismo da ciclosporina e aumentar a biodisponibilidade desse fármaco por intermédio da  inibição da enzima hepática do citocromo P450 3A4, bem como de outros medicamentos que utilizem essa via para a sua metabolização (há o aumento da biodisponibilidade desses fármacos também); há a possibilidade de sinergismo entre o óleo de hortelã pimenta e a oxitetraciclina;  o óleo de hortelã pimenta pode melhorar a absorção tópica de 5-fluorouracil; o uso dessa planta com sinvastatina ou fenolodipino pode aumentar a biodisponibilidade desses fármacos.


  • Toxicidade: Em estudos in vivo, há o relato de toxicidade aguda (óleo essencial e extrato) em administração de concentrações superiores as recomendadas com aparecimento de sintomas como respiração acelerada e sedação, assim como na toxicidade subcrônica (óleo essencial) sendo relatada em doses superiores as preconizadas (por exemplo, redução de glóbulos brancos, aumento de plaquetas e diminuição do colesterol HDL e LDL), estudos de embriotoxicidade do óleo essencial (aumento ligeiro do peso) e genotoxicidade do óleo essencial (por exemplo, alterações cromossômicas em linfócitos apesar de ter poucos relatos). Em estudos in vitro, quando administrado o óleo essencial em doses superiores as preconizadas, apresentou citotoxicidade frente a células de carcinoma cervical humano e linhagens celulares Hela, Hep2 e Vero.


Em resumo, a hortelã pimenta utilizada dentro dos limites estabelecidos dificilmente irá ocasionar efeitos tóxicos e/ou adversos.


Texto: Rayane Rodrigues Reis

Revisão: Milton Nascimento da Silva/ Paulo Roberto da Costa Sá

Imagem: Canva.com


Fontes consultadas:

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Monografia da espécie Mentha x piperita L. (hortelã pimenta). Brasília, 2015. Disponível em: < https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/consultas-publicas /2017 / arquivos/MonografiaMenthapiperita.pdf>. Acesso em: 07 de jan. 2023.

FERNANDES, L. C. P. Aspectos químicos, farmacológicos e biotecnológicos de Mentha x piperita L. 41 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Técnico em biotecnologia) - Instituto Federal do Paraná, Londrina, 41 f, 2018.

HORTELÃ. Horto didático de plantas medicinais do HU/CCS, 2020. Disponível em: < https://hortodidatico.ufsc.br/hortela/>. Acesso em: 07 de jan. 2023.

NICOLETTI, M. A. et al. Principais interações no uso de medicamentos fitoterápicos. Infarma, v. 19, 2007.

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