
Alho
Nome científico: Allium sativum L.
Família: Amaryllidaceae.
Origem: Ásia.
Partes mais utilizadas: Bulbos.
Usos populares:
1. Culinário;
2. Medicinal: perturbações do aparelho digestivo e respiratório, parasitoses intestinais, edema, gripe, trombose e arteriosclerose.
Composição química
1. Contendo enxofre (0,1-0,2%):
a. Solúveis em água: derivados da cisteína (S-alil-cisteína (21%), S-alil-mercaptocisteína, S-metil-cisteína e g-glutamil-cisteína);
b. Solúveis em óleo: sulfureto dialílico, dissulfeto dialílico, alicina, aliína, ajoeno, etc.
2. Não contendo enxofre: compostos fenólicos (allixina, quercetina, miricetina e apigenina), saponinas, polissacarídeos, mucilagens, minerais e oligoelementos.
Farmacologia: Irá mudar de acordo com a atividade terapêutica, sendo que algumas vias não são completamente elucidadas.
1. Hipotensor: o alho aumenta o GMPc (um sinalizador celular responsável por inúmeras atividades no organismo, como a vasodilatação) intracelular incidindo no aumento da disponibilidade de óxido nítrico (indicado como sendo um dos responsáveis pela vasodilatação e, por conseguinte, diminuição da pressão arterial, bem como ações na resistência periférica e fluxo sanguíneo). Ademais, inibe a enzima conversora de angiotensina (ECA) impedindo a conversão de angiotensina I em II, o que promove vasodilatação. E, por fim, inibe outra enzima chamada de adenosina desaminase bloqueando a conversão de adenosina em iosina, o que permite a ação vasodilatadora da adenosina.
2. Hipolipemiante: substâncias do alho, como a alicina e a aliína, são apontadas como as responsáveis por diminuir a absorção e a síntese do colesterol, assim como aumentar a excreção dessa lipoproteína, por meio da ação sobre a enzima hepática HMGcoA redutase (enzima pela qual há o metabolismo do colesterol), enzimas da síntese de ácidos gordos e no colesterol hidroxilase.
3. Hipoglicemiante: o alho abre os canais de K+, o que irá fazer a liberação de insulina pelas células beta pancreáticas tendo como consequência a diminuição dos níveis plasmáticos de glicose e a vasodilatação (=diminuição da pressão arterial).
4. Antioxidante: esse mecanismo não é completamente elucidado, entretanto sabe-se que compostos do alho, tais como a alicina e a aliína, são responsáveis pela eliminação de radicais livres, proteção da célula contra os danos celulares e manutenção das células
5. Antitumoral: acredita-se que o mecanismo no qual o alho atua seja nos níveis moleculares da carcinogênese atuando, por exemplo, na apoptose das células, eliminação de radicais livres, mutagênese e angiogênese. Sendo que atua na prevenção de tumores como bexiga, mama, pele, útero, entre outros.
6. Antibacteriano: Esta atividade está relacionada com a alicina pela sua capacidade de inibir enzimas com grupos sulfidrilo, mas também pela cisteína e a glutationa que são capazes de neutralizar a atividade de tiolação da alicina. Também os compostos de enxofre do alho são capazes de destruir bactérias pela destruição de grupos tiol presentes nas enzimas bacterianas.
7. Antifúngico: é capaz de diminuir o consumo de oxigênio, reduzindo o crescimento do organismo, e de inibir a síntese de lipídios, proteínas e ácidos nucleicos, levando à inibição da síntese da parede celular do fungo. Compostos como o dialil sulfeto demonstraram esse efeito devido à sua capacidade de induzir estresse oxidativo e como consequência depleção de grupos tiol principalmente em Candida.
8. Antiparasitário: esse mecanismo não é totalmente elucidado, entretanto tem impacto no crescimento do parasita, melhora do sistema imunológico para atuar contra esses invasores e outras funções.
9. Outras ações terapêuticas também foram observadas como a imunidade celular e a atividade anti-inflamatória por diminuição de genes pró-inflamatórios e modulação da expressão de citocinas, por exemplo.
Dose diária:
1. Bulbilhos frescos:
a. Crianças (2-4 anos): mínimo de 0,08 e máximo de 2,0 g ao dia;
b. Crianças (5-9 anos): mínimo de 0,1 e máximo de 3,0 g ao dia;
c. Crianças e Adolescentes (10-14 anos): mínimo de 0,2 e máximo de 6,0 g ao dia;
d. Adolescente e adultos (> 14 anos): mínimo de 0,5 e máximo de 12,0 g ao dia.
2. Pó: 0,4 - 1,2 g
3. Óleo: 2 - 5 mg
4. Extrato seco: 300 - 1000 mg
5. Comprimido contendo extrato seco: 600 - 900 mg
Posologia (dose e intervalo):
1. Bulbilhos frescos 1,2-2 g (1 bulbo): uma vez ao dia, de manhã em jejum (12-14 horas);
2. Comprimido contendo extrato seco 300 mg (01 comprimido): três vezes ao dia durante oito semanas ou duas vezes ao dia, durante 12 semanas;
3. Comprimidos de liberação controlada 300 mg (01 comprimido): duas vezes ao dia, durante 12 semanas.
Contraindicações: Não deve ser utilizado em pacientes com hipertireoidismo, distúrbios da coagulação ou em tratamento com anticoagulantes. Não deve ser usado em pré ou pós-operatórios, devendo ser suspenso por pelo menos 10 dias antes de procedimentos cirúrgicos. Pacientes com gastrite e/ou úlcera gastroduodenal não devem fazer uso do medicamento. Contraindicado a pacientes com histórico de hipersensibilidade e/ou alergia. Doses de alho superiores às quantidades utilizadas em alimentos não devem ser ingeridas durante a gravidez e aleitamento.
Interações medicamentosas: Possível sinergismo com hipoglicemiantes intensificando o efeito de diminuição dos níveis de glicose no sangue; o uso concomitante com anticoagulantes/antiplaquetários pode aumentar o tempo de sangramento e hematúria, entre outros problemas hemorrágicos; a utilização com anti-hipertensivos potencializa os seus efeitos farmacológicos, em especial os diuréticos (aumenta a diurese no paciente) e os Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) (potencializa o efeito hipotensor no paciente); há a possibilidade de interação na farmacocinética de analgésicos, como o paracetamol, apesar do mecanismo não ser completamente elucidado; a interação com os antirretrovirais inibidores de protease é uma das mais conhecidas com o potencial de reduzir os níveis plasmáticos desses medicamentos, bem como de fármacos que utilizem a via do citocromo P450; em pacientes com uso de medicamentos tireoidianos há a não recomendação de alimentos contendo alho, pois esse bulbo interfere na tireoide; o alho aumenta a disponibilidade plasmática de clorzoxazona (relaxante muscular) aumentando o risco de surgimento dos efeitos colaterais.
Toxicidade: Em estudos não clínicos foi observado a presença de toxicidade aguda em doses maiores do que as preconizadas, toxicidade crônica em doses maiores do que as aconselháveis ocasionando efeitos prejudiciais a mucosa gástrica e intestinal, irritação cutânea e sensibilização cutânea não significativa.
Texto: Rayane Rodrigues Reis
Revisão: Sônia das Graças Santa Rosa Pamplona/ Johan Carlos Costa Santiago
Imagem: Canva.com
Fontes consultadas:
ALHO. Horto didático de plantas medicinais do HU/CCS, 2019. Disponível em: < https://hortodidatico.ufsc.br/alho/>. Acesso em: 03 de jan. 2023.
ALVES, W. C. P. et al. Interações medicamentosas do alho (Allium sativum L.): uma revisão da literatura. In: INTERNACIONAL SAÚDE ÚNICA (INTERFACE MUNDIAL), 3., 2021, Recife. Ebook [...] Recife: CIDSU, 2021. Disponível em: < https://www.even3.com.br/ebook/icidsuim2021/380773-interacoes-medicamentosas-do-alho-/>. Acesso em: 03 de jan. 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Monografia da espécie Allium sativum (alho). Brasília, 2015. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/consultas-publicas/2017/arquivos/MonografiaAllium.pdf>. Acesso em: 02 de jan. 2023.
CARVALHO, W. A. et al. Biologia molecular dos receptores farmacológicos e seus sistemas efetores de interesse em anestesiologista. Rev. Bras. Anestesiol., Salvador, n. 47, 1996.
CRUZ, A. C. R. da. Potencial terapêutico do alho. Dissertação (Mestrado em Ciências Farmacêuticas) - Instituto superior de ciências da saúde egas moniz, Caparica, Portugal, 109 f., 2015.
LIMA, M. R. da S.; OLIVEIRA, F. P. de. Ação do alho (Allium sativum L.) em ratos induzidos a hipertensão arterial sistêmica. Rev Interd., v. 13, Fortaleza, 2020.
.png)





